Ícones arquitetônicos de São Paulo

Como um diamante bruto, o concreto é lapidado e faz da cidade um repositório de tesouros da criatividade humana – um dos maiores do mundo, diga-se. Alguns dos maiores nomes da arquitetura brasileira talharam pérolas do seu portfólio na cidade. Oscar Niemeyer, Rino Levi, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e tantos outros provaram com a prancheta na mão que para se orientar pelas ruas da maior metrópole do país talvez seja melhor dispensar o mapa e carregar uma enciclopédia de história da arte.

Hoje, em uma cidade onde os espaços estão cada vez mais escassos, os arquitetos se recusam a aceitar as poucas áreas livres como verdade. Em terrenos grandes ou pequenos, dão continuidade à tradição paulistana de aproveitar esses espaços da melhor forma, construindo edifícios que vêm se tornando os novos ícones de uma cidade tão diversa nas origens, pessoas e culturas quanto nas formas arquitetônicas. O sucesso da revitalização do Centro de São Paulo dá forma à convivência perfeita entre os prédios de outras épocas e as construções dos novos tempos.

A Torre Bela Vista, por exemplo, vem para inaugurar uma era de ouro do novo Centro, a menos de 10 minutos a pé das estações Sé e Anhangabaú do metrô. Esse empreendimento residencial com 135 metros de altura será um dos mais altos da região. Imagine o visual. O topo com elementos trabalhados em vidro e iluminação especial se constituirá em referência na paisagem dia e noite.

No ritmo da inovação combinada à tradição arquitetônica da cidade, a Torre Bela Vista entra para uma galeria de expoentes que valem a pena relembrar. Prédios que saíram do portfólio de suas construtoras para a personalidade e os cartões postais de São Paulo. Confira:

Edifício Martinelli
Localizado no triângulo formado pela Rua São Bento, Avenida São João e Rua Líbero Badaró, o Edifício leva o nome do seu idealizador, o italiano Giuseppe Martinelli. Esse marco arquitetônico de São Paulo foi concluído em 1934,e com os seus 105 metros de altura foi o prédio mais alto do Brasil durante 13 anos.

Edifício Altino Arantes
Já foi conhecido como Edifício Banespa. Atualmente todos o conhecem como Farol Santander, que promete “relembrar o passado, marcar o presente e iluminar o futuro”. Além do mirante 360o com café na cobertura, mantém exposições frequentes em diversos andares. São 160 metros de altura distribuídos em um projeto que recebeu retoques para lembrar o Empire State, de Nova York. O nome Altino Arantes foi uma homenagem ao primeiro presidente do extinto Banco Banespa.

Edifício Itália
Pouca gente sabe, mas seu nome oficial é Circolo Italiano. Inaugurado em 1965, não apenas se tornou um marco na cidade como figura na lista do Patrimônio Histórico por ser um dos maiores exemplos da arquitetura verticalizada brasileira. Na cobertura, o restaurante Terraço Itália se tornou ponto turístico. Ao todo, são 165 metros de altura, dezenove elevadores e 46 andares.

Edifício Copan
Nos anos 1950, em um cenário de novas indústrias e crescimento acelerado da cidade, surge o projeto do Edifício Copan, assinado por Oscar Niemeyer. Na época, São Paulo adotou o paradigma de verticalização americano, que liberava o gabarito máximo dos edifícios. O projeto que ainda previa a construção de um hotel se restringiu ao que se conhece hoje. O Copan possui 1160 apartamentos, mais de 2 mil moradores e 72 lojas. A forma sinuosa do edifício é uma das marcas de Niemeyer.

Edifício Germaine Burchard
Ao contrário das obras-primas que citamos até agora, este não é um arranha-céu. O contorno das varandas assinalado pelos tons rosas é a primeira característica que chama a atenção desse projeto dos anos 1930, erguido sob encomenda da condessa que dá nome ao edifício. No início da década seguinte, foi apontado como um dos prédios mais bonitos da capital paulista. Chegou a ser transformado em hotel, recuperando em pouco tempo seu perfil residencial nos anos 1950. Está localizado na Av. Cásper Líbero, no Centro.

Mirante do Vale
A construção na região do Vale do Anhangabaú foi realizada em seis anos, com inauguração em 1966. Seus 170 metros lhe valeram o título de edifício mais alto do país durante meio século. São 12 elevadores, 51 andares, heliponto e a monumental marca de 1028 salas comerciais.